Mato Grosso do Sul entra em alerta após Ministério da Saúde reforçar risco de aumento da dengue com o El Niño
Estado já soma 1.498 casos confirmados de dengue em 2026; previsão de mudanças no clima pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti
O Ministério da Saúde emitiu um alerta aos estados e municípios para intensificarem as ações de prevenção e combate à dengue, chikungunya, zika e outras arboviroses diante da possibilidade de formação de um episódio de El Niño de intensidade moderada a forte no segundo semestre deste ano. Mato Grosso do Sul está entre os estados que devem reforçar a vigilância para evitar o aumento de casos.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno climático pode provocar aumento das temperaturas e alterações no regime de chuvas em diferentes regiões do país. Essas condições favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, especialmente em locais com água parada.
As orientações foram encaminhadas aos gestores estaduais e municipais por meio de uma nota técnica do Ministério da Saúde. O documento recomenda intensificar a vigilância epidemiológica, realizar o bloqueio da transmissão logo nos primeiros casos confirmados, reorganizar as equipes de combate às endemias e ampliar o uso das tecnologias de controle vetorial.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário segue exigindo atenção. De janeiro a julho de 2026, o estado confirmou 1.498 casos de dengue, mesmo com a redução registrada em relação ao ano passado. As autoridades de saúde reforçam que a chegada do El Niño pode criar condições favoráveis para a reprodução do mosquito e aumentar o risco de novos surtos.
As projeções do sistema InfoDengue, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que o Brasil poderá registrar aproximadamente 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. O Ministério da Saúde destaca, no entanto, que a estimativa poderá ser revisada conforme a evolução do cenário climático e a atualização dos dados epidemiológicos.
Apesar do alerta, os números nacionais mostram queda na circulação das arboviroses. Até 20 de junho deste ano, o Brasil registrou 392,8 mil casos prováveis de dengue, uma redução de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Os casos prováveis de chikungunya também apresentaram queda de 46%.
O Ministério da Saúde reforça que a prevenção continua sendo a principal forma de combate ao Aedes aegypti. A orientação é eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas d'água tampadas, limpar calhas e permitir o acesso das equipes de vigilância, reduzindo assim os riscos de proliferação do mosquito.